Quem foi que disse que meu cabelo é ruim?

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Antes de mencionar no blog ou citar qualquer produto de cabelo, preciso explicar a minha saga capilar.

Tenho muito cabelo…fios grossos e crespos. Para a minha alegria, minha irmã também compartilha da mesma carga genética. Digo alegria pois crescer com as mechas crespas na década de 1980 não foi fácil…(no século XXI temos princesas de todas as cores, corpos e cabelos…).

E ter a minha irmã ao meu lado foi muito importante. Adiante vocês vão entender o porquê.

Durante nossa infância, pessoas super queridas se encarregavam da tarefa de colocar defeitos em nosso cabelo e fazer com que acreditássemos que os fiosinhos que nasciam em nossas cabeças eram ruins e não prestavam.

Na escola…enfim…na escola a situação era ainda muito pior. Para conseguir lidar com o “problema” o lance era cortar, alisar ou prender em coques bem dos covardes. O caminho nunca foi o de assumir.

Acredito que as pessoas que criticavam não faziam isso por ser más propriamente.  Faziam por falta de informação, por preconceito ou por ignorância. Hoje eu consigo compreender.

Passávamos horas no salão fazendo alisamento,escova (hoje fala-se relaxamento) e lá muito dinheiro era gasto também. Pouco tempo depois, a raíz do cabelo estava enorme e super “alta”. Mas na época ainda não atentávamos que a raíz do problema era nada menos que a aceitação.

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Tentávamos todos os banhos de creme possíveis! Minha princesa favorita era a Rapunzel e a boneca, a Barbie… Muitas brincandeiras envolviam “cabelos de mentira” como forros de mesa. Os mais longos e pesados eram nossos preferidos.

O tempo foi passando e minha irmã, sempre mais astuta, começou a  fazer o relaxamento ela mesma. Super corajosa pois é um processo químico sério. Lia os rótulos de tudo. Sabia o que podia e o que não podia passar nas mechas capilares. Não é à toa que hoje ela é farmacêutica e bioquímica, das melhores!. Minha mãe também ajudava demais arrumando nosso cabelo, com rolinhos 🙂

Como eu não podia ficar para trás (pois era bem oneroso manter minhas madeixas só nas graças do salão) segui os passos da minha irmã querida e me tornei, digamos, independente.  E foi aí que liguei o mode da aceitação. Mas confesso que estou nesse processo há um bom tempo… (Convenhamos que reverter o que você escuta por toda a sua vida não é fácil).

Testo muitos produtos de tratamento e hidratação capilar. Mas antes de comprá-los leio os rótulos, a-na-li-so cada ingrediente. Compro o melhor que posso.

Hoje, acho digno fazer relaxamento e usar chapinha mas não para negar ou anular o que eu tenho mas por puro prazer de ter essa opção. A liberdade de usá-lo crespo existe e faço uso dela na hora que eu me sinto no clima.

Tirei duas lições desta minha odisséia: assumir que ter algo que não é aceito pela sociedade é muito, muito doloroso. Por isso, sempre repenso ao ver situações em que a “maioria” concorda. A tentativa de estar na vanguarda dói, mas também liberta.

A outra lição é a de que crianças sabem o que elas são por meio do que escutam ao seu respeito. Se escuta que é inteligente e bondosa, a tendência é que ela seja inteligente e bondosa. Se escuta que é terrível e que “não presta”, vai acreditar exatamente nessa “verdade”.

Então, como adulta tento ser exatamente o contrário do que alguns adultos foram para mim. E fico surpresa ao perceber que, de forma inversa, eles me ajudaram como pessoa. E sou grata por isso.

Cada um tem suas próprias sagas. … Algumas mulheres buscam o corretivo perfeito para tampar as olheiras; roupas miraculosas que disfarçam a gordurinha em excesso ou a falta de altura. Outras evitam saias ou shorts para não mostrar as varizes precoces.

A gente está sempre a procura de algo que esconda o que não é aceito. Mas isso é como um verme que corrói a auto-estima. E como todo verme, precisa ser eliminado.

Quando estou nas minhas recaídas capilares, visto a carapuça de Pollyana e agradeço a Deus por ter cabelo e vejo que minhas reclamaçõezinhas realmente merecem o diminutivo.

P.s muito importante:  Em 2013, minha irmã deixou tudo o que era química de lado e vestiu a camisa da aceitação e do amor próprio! Há dois anos  o cabelo dela é um afro lindooooo cheio de cachinhos, livre e leve, como deve ser.

Por Ingrid Furtado

(desculpem-me pelo post tão longo!)

Ingrid Furtado Favicon

*Posted 19 June 2012
*The images of this post are from Disney-Pixar/Movie Brave. As imagens deste post pertecem à Disney-Pixar-/Filme Brave.
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